segunda-feira, outubro 23, 2006

FNACs

Este fim-de-semana deu que pensar. Ao observar as digressões das bandas portuguesas apercebo-me que existe um fluxo de concertos enganador alicerçado nos show-cases FNAC que face à magra oferta de locais para tocar é hoje uma das raras hipóteses para actuar.

Pelo contrário nós sempre fizemos um esforço para as nossas actuações serem feitos de forma mais abrangente e vimos sempre a FNAC como um bom complemento mas nunca nem prioritário nem dominante.

Quando lançamos um disco nunca em seguida partimos para o circuito FNAC, como se institucionalizou na maioria das bandas, vamos de imediato para a “estrada” real e só depois de uma dúzia de concertos optamos por ir a umas FNACS e daí a uns meses voltaremos a outras.

Se calhar não é a táctica mais rentável mas é a mais empolgante face à debilidade e comodismo da nossa “industria” a FNAC encontrou e bem, uma mais-valia para dar ao seu utente: as actuações ao vivo.

A rede FNAC é efectivamente um delirio para quem durante anos se viu privado do acesso a tantos bens culturais disponibilizados de uma forma tão acolhedora, foi fácil bater a concorrência cinzenta que Portugal detinha/detém.

É neste somatório de fragilidades que ficamos contentes com a existência da FNAC mas que cria uma rede de situações complexa. A oferta de auditórios com uma estrutura previamente montada possibilita um circuito de concertos regulares que falta em Portugal, a pouco-e-pouco a FNAC irá fazer o papel que as autarquias deviam ter feito: uma rede de salas de concerto alimentada diariamente.

Com dois golpes de génio à mistura: sem bilheteira e com artistas a custo zero. E é aqui que se começam a instalar as raízes para o despontar de problemas, um confortável dominio sem grande comprometimento.

As FNACs têm gestões independentes e em dois dias confrontámo-nos com as diferentes perspectivas do que é disponibilizar uma estrutura e condições mínimas para quem não gasta um tostão em fornecer entretenimento ao seu público.

A melhor FNAC é a do Colombo, em que além do melhor espaço loja/ auditório tem uma circulação de público muito boa em função do espaço em que está inserida. A FNAC de Cascais é a única que tem um “backstage” condigno, amplo e desimpedido.

As Equipas de recepção e acompanhamento dos músicos são na generalidade prestáveis e competentes.Relembremos que os músicos têm a seu cargo todos os custos de deslocação e transporte sem auferir qualquer tipo de gratificação final.

Se na FNAC de Cascais temos direito a um pequeno lanche racionado por senhas (bolo, salgado, bebida, café) como rebuçado pela nossa actuação, no Colombo a coisa funciona de uma forma mais sensata em que o bar está aberto com excepção de sumos e bebidas brancas.

Os espaços em questão, continuando na base de serviços mínimos condignos, fornecem parque de estacionamento durante a estada no estabelecimento.

Deixo para o fim a FNAC do Chiado que fica atrás das outras duas em todos os mínimos que disponibilizam. O serviço de bar não faz a mínima ideia do que deve disponibilizar aos músicos, refugiado na necessidade de ordens superiores e por escrito.

Basicamente não sei se durante as horas em que ali estivemos alguém conseguiu tomar um mísero café enquanto os funcionários sacudiam a água do capote “eu não sei de nada”. Será que isto acontece todos os dias?! Ou fomos os primeiros músicos a querer serviço de bar?! Até para ter águas em palco teve que haver telefonemas a pedir autorizações.

O Chiado não disponibiliza estacionamento para um único carro de pequena dimensão, o descarregamento é feito e a viatura colocada da parte de fora do portão. Lá dentro um parque vazio.

Final de show-case. Desmontar de Material. Regresso a casa. Abertura de portões.
Lá fora o carro à espera de vidros partidos.

A câmara da FNAC não teve ângulo para filmar a destruição. No 5 à Sec em frente ao sucedido ninguém viu nem ouviu nada. A policia já tinha lá estado, anotado e desandado. O funcionário da FNAC soltando um “mesmo assim não nos podemos queixar. Há cidades piores!”.

E lá dentro um parque vazio.

Hugo

4 comentários:

stella disse...

Com carros de vidros partidos ou partidos de carros de vidro, em FNAC's ou fora delas, nunca tive a oportunidade de vos ouvir...

Vi o vosso site, o vosso blog, ouvi as vossas músicas e agora gostava de vos ver ao vivo...

Quando poderei bailare na vossa companhia?

(Quanto ao vidro acredito que tenha sido muito chato mas são histórias por contar... Pensem no lado positivo. Como eu vos compreendo pelo Chiado não ter estacionamento...)

Ricardo disse...

Para já está marcado um concerto no dia 8 de Dezembro em Barcelos mas estamos à espera de ter mais datas.
Obrigado pelo interesse.

joaopedro disse...

eu acabei por beber café, após pagamento...(encolher de ombros)

joaopedro disse...

... e o vidro era o meu!!(fechar de punho)